(Coluna Família TEA): A Importância do Eixo Espiritual no Desenvolvimento da Criança Autista, por Ellen Paglianti

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Ellen Paglianti

O desenvolvimento infantil é um processo integral que envolve múltiplos aspectos: físico, cognitivo, emocional, social e também espiritual. No caso das crianças autistas, não é diferente, e já existem estudos que comprovam que quando a necessidade espiritual da criança autista é suprida, há melhores desfechos terapêuticos.

O eixo espiritual está relacionado à busca de significado, propósito, pertencimento, acolhimento e valores que orientam a vida. Proporciona experiências de amor, cuidado e fé.

No contexto do autismo, o eixo espiritual impacta diretamente na estabilidade emocional e relacional, diminuição de crises e maior conexão com o próprio cuidado. Trata-se de neurobiologia.

Um estudo publicado em fevereiro de 2025 mostrou que o eixo espiritual “paz interior” tem correlação de 0,671 com qualidade de vida e 0,679 com saúde psicológica. Na saúde mental, a espiritualidade atua como proteção psíquica: fortalece a autoestima, reduz recaídas, melhora o vínculo terapêutico e amplia a motivação.

Muitas vezes, o autismo é olhado apenas sob a lente clínica, enfatizando diagnósticos e terapias. Entretanto a criança autista é muito mais do que seu quadro neurológico, ela é um ser completo, com potencial de aprender, amar, criar e se conectar. Práticas como oração e reflexões que proporcionam a oportunidade de exercer a fé em Deus e fazer parte de uma igreja que acolhe e inclui, aumenta significativamente o potencial de desenvolvimento da criança por completo.

Famílias que vivem sua fé como parte do cuidado relatam mais presença emocional e menos esgotamento. Segundo a Dra. Tielle Machado, em sua prática clínica, um padrão se repete: onde há espiritualidade, há melhores desfechos.

O Brasil e os Estados Unidos já propõem modelos integrados entre capelania e saúde mental, com resultados positivos em adesão, sono e crises.

No caso de adolescentes autistas, esse benefício também é relevante. O resultado de adolescentes autistas engajados na fé é favorecido com bem-estar, inclusão social e regulação emocional. O vazio interno e a falta de esperança no futuro são substituídos pelo senso de propósito, autoestima elevada, satisfação com a vida e combate à depressão e ansiedade.

Na minha experiência, a integração da família, escola, equipe multidisciplinar e igreja suprem a criança e o adolescente de forma plena e o resultado é o desenvolvimento do potencial máximo da criança e adolescente autista.

Convido todos a conhecer o livro “Inclusão no Reino” e “Amigos de todos os jeitos”, de minha autoria; e o curso online “Incluindo com Excelência” que são poderosas ferramentas para a inclusão efetiva.

Minhas redes: @ellenpaglianti @inclusaonoreino

Agradeço ao grupo Família TEA Bauru e ao portal GPN pela oportunidade de escrever sobre um tema pouco falado e de extrema importância, o qual faz toda a diferença não somente no desenvolvimento da criança atípica, mas também na vida de toda a família.

Sobre a autora:
Ellen Paglianti é pastora, escritora, professora, especializada em Terapia ABA e Autismo, cursa atualmente uma pós-graduação em Neuropsicopedagogia Clínica e Institucional. É diretora-executiva do CMDCA Bauru e Assessora de Inclusão Colégio Lancer. É idealizadora do projeto “Inclusão no Reino” e autora do livro homônimo.

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